08/11/09

o triciclo


Eu, quando era miúdo pedalava o meu triciclo sob as folhagens das ramadas que cobriam todos os pátios da nossa casa em Válega, onde vivi a minha infância. Aqueles pátios e passeios eram imensos, e no Verão ali pedalava incessantemente fazendo corridas imaginárias entre o tanque de lavar a roupa e um portão que dava para uma viela, portão que era guardado pelo "Benfica" o nosso cão que ali tinha a sua casota. Lembro-me particularmente de uma curva em L , de um lado uma velha pereira e do outro a porta da casa do porco, onde por vezes derrapava em grande estilo, e por outras sem estilo nenhum...
Este triciclo um dia foi montado e pedalado por uma prima de Lisboa , que era mais velha e grande, e claro, ao fim de duas pedaladas, o tricíclo não aguentou e partiu.
Foi das coisas mais tristes que me aconteceram e ainda hoje lembro a tristeza que senti durante muito tempo, olhando o triciclo partido, apesar de tentarem em vão consertá-lo o que nunca aconteceu eficazmente.
Entretanto cresci e veio a idade da bicicleta, que me levou na descoberta do território para além dos pátios daquela casa.
Mas a imagem do triciclo partido e do seu consequente abandono permanece naquele canto do eu onde se guardam as angústias dos brinquedos perdidos para sempre.
Talvez seja a vontade de recuperar todos esses brinquedos que me levam a recuperar barcos partidos e abandonados, quase irrecuperáveis. Talvez seja uma tentativa de recuperar todas as corridas que não cheguei a fazer com o tricículo, agora flutuando sob o céu imenso da Ria, que nestes dias de outono fica fechado e sem sol.

01/11/09

Marés de azar

A oxidante contaminação dos resíduos ferrosos
que das sucatas á beira mar padecem
obrigam a métodos de abarcamento
quando se verificam frágeis
as estruturas portantes da indústria.

Deste modo, cavalgante vai o negócio
entre o natural empenho dos metais
e a constante vontade de limpeza,
fomentando negócios infindáveis
vai o terreno ficar brilhante, concerteza.

Portantas e tantas cavalgadas
propomos definitivamente um final,
em que submarinos tenhamos sim,
mas com o ferro das sucatas construidos
resolvendo, contrapartidos,
os dinheiros ali entrados
por portas ínvias e discretas
onde abundam as secretas dos partidos.

Comandante Nemo, teríamos assim, uma frota invejável na marinha,
tripulantes de vara erguidos, contornando loureiros e penedos,
tudo feito em Portugal,
onde não se está nada mal.

Ao alto das cúpulas do estado
a paletas de betão e polícias,
perguntamos o que já sabemos,
Afinal, quem é que não é ladrão?
.

30/10/09

Acção! Paulo Rocha regressa ao nosso mar































Um novo filme de Paulo Rocha veio dar à costa. O Furadouro, a luz de fim de tarde, o som das ondas e o som das rebarbadeiras nas obras que se silenciam enquanto se filma. Mais uns metros de ficção cinematográfica na obra do ícone vareiro, com quem um dia joguei uma partida de ténis, com o seu tio Carlos, o célebre "Pé-de-chumbo" num campo de terra batida, ao lado da casa da Família Chaves "Casal da Areia"... aqui mesmo ao lado. Agora que vejo Paulo Rocha com uns óculos a fazer lembrar Troufault, um boné estilo inglês, com uma  "Yoko Ono" fiel companheira e um cão, circulando circulando nos passeios do Furadouro, onde antes eram estendais e trazeiras de palheiros, lembro-me de que a vida já não é a mesma. Mudou, mas pelo que se vive, é bela!




20/10/09

O castelo da beira mar

No tempo das construções na areia, eu o Miguel e mais uns amigos que já não me lembro, construimos pela tarde um castelo de areia, na beira mar. Era uma construção completa, diga-se, de dimensões consideráveis, com muralhas, torres, fosso e tudo, e talvez lá morassem as princesas e as fadas, os cavaleiros e as ninfas, ou então muito simplesmente os caranguejos e as conchas.
Sei que das torres pendiam algas, daquelas algas finas e longas que dantes eram trazidas pelas ondas e davam á costa,  e que se tornavam adereços  enfeitando os corpos das  raparigas que não resistiam ao feitiço imaginativo que daquelas algas emanava.
No tempo das construções na areia sentíamos a atmosfera das praias longuínquas e exóticas onde as jovens dançavam enfeitadas com flores e conchas e ramos de verdura, e os rapazes exercitavam os movimentos guerreiros, com pistolas de cowbóis e navios de guerra, ou simplesmente iam ás corridas, nas pistas rápidas desenhadas na areia, onde os bólides eram caricas de refrigerantes ou de cervejas, decoradas e polidas nos muretes de granito do passeio da marginal...
Neste tempo das grandes marés baixas, quando o mar recuava para além das conchas e calhaus, era costume construirem-se grandes castelos na beira mar. Isto apesar de sabermos que o seu tempo era efémero, curto, mas digno apesar de raramente, servirem de palco a grandes batalhas , heroicas façanhas, ou criarem irredutiveis mitos. Mas, com este castelo de areia aconteceu algo de diferente.

Terminámos a grande construção aí pelas 7 horas da tarde, trabalhos interrompidos pela hora do lanche, e admirada a obra, deixámo-la intacta, pensando, amanhã era uma vez um castelo, pois a maré ia subir e os banhistas matinais ali iriam calcorrear as ameias, o fosso e a ponte levadiça...
Retirámo-nos, olhando o castelo por uma última vez. - "Amanhã fazemos outro..."

 E veio a noite e a lua começou o seu jogo de sedução com o mar que ia crescendo com a maré, e vieram as longínquas memórias de desembarques normandos naquelas águas do furadouro, quando ali existiam apenas baixios e uma passagem entre o mar e a costa interior, e os nórdicos investiam por esses rios acima. Mas, naquela noite de luar, os piratas iriam ter uma grande surpresa, que iria marcar para sempre a história de Ovar.
Os navios deslizavam em número de três, de proas erguidas e ar ameaçador, aproveitando a briza que ainda soprava de norte.  Ao fim do dia as aves aos milhares sobrevoavam aquela área e o manto ondulante dos bandos procurando refúgio nas enseadas e lagoas do interior, anunciavam grande abundância.
O chefe da expedição guiava-se pelo fumo das fogueiras que naquele dia afloravam ao longe anunciando presença humana e talvez algum festim, e observava a ondulação e as águas, procurando o som das ondas e o branco azuleado da espuma na praia. A maré estava baixa e encalhar ali seria uma enorme perda de tempo . Poderia colocar em risco a expedição.


15/10/09

Maioria Relativa















E agora? A governabilidade prevê o diálogo com o dono do terreno antes de se iniciarem as obras, porque senão, corremos o risco de não avançarmos e os prejuízos sempre que uma obra pára são imensos e erremediáveis. Mas será este o modelo desejável? Não é. O desenvolvimento sustentável exige uma democracia sustentável, uma nova era cultural assente nas novas redes sociais, ou onde estas possam formatar a participação. Diálogo, diálogo, de mão estendida? Francamente.














O diálogo encenado, exercício estético-democrático, para nos dar prazer moral, ou aquele outro de afrontamentos permanentes e edificantes? O problema é que para este diálogo falta essência cultural, entendimento da profundidade das questões, e uma informação séria, sem "Play-lists".
Quem é que reparou na frase de Ana Arendt na propagada do Boletim Municipal de Ovar ( PS) ? Quase ninguém. Foi por isso que Manuel Oliveira obteve quase 50% dos votos? Não foi.

Música para a AVENIDA

O Joaquim Pavão e a Senso Comum criaram e produziram uma obra, um tributo á Avenida Lourenço peixinho. Entre a nostalgia romântica e o neo-realismo, uma atmosfera a milhas de uma urbanidade decadente, como se caracteriza actualmente a avenida. (o que demonstra a inesgotável capacidade inspiradora de uma avenida com história).
Mas esta obra é música e imagens que constituiem um tributo a todos os que a fizeram, incluindo os utentes...
Ou de como o processo de nos debruçarmos sobre a cidade, afrontando o isolacionismo o estaticismo e as coisas banais faz uma nova cidade. aqui

Parabéns !

10/10/09

Furadouro


Percorrer as primordiais neblinas nas alturas médias da beira mar
assemelha-se a uma escalada ao mais alto cirro,
sobre as toalhas húmidas de uma manhã,
em que nos lembrámos da cordilheira dos Andes.

Degrau

24/09/09

Amigos da Avenida esmiúçam programas eleitorais

Amigos da Avenida

Os Amigos da Avenida, grupo de cidadãos informal, criativo, interveniente, provocante e eminentemente pró-activo, assentando a sua acção nos princípios elementares da cidadania, promoveu durante nove meses e de forma voluntária, a animação e discussão em torno de espaços públicos. A Avenida Lourenço Peixinho, a Praça Melo Freitas, a Ria de Aveiro. Ofereceu ateliers de pintura, concertos de música, passeios fotojornalísticos com incidência nas questões urbanas , recriações históricas, e outras animações em espaços públicos, onde o pulsar da vida colectiva se revela, por excelência. ( Ou deveria revelar). Perspectivaram ainda estes amigos diferentes olhares sobre o património, numa postura "moderna e contemporânia", interpelaram os poderes políticos da cidade no sentido de se criarem novas sinergias no modo de decidir, aproveitando as novas redes sociais e meios de comunicação e participação colectiva asente nas novas tecnologias, estiveram na Assembleia Municipal de Aveiro (a convite) e com tudo isto julgo que criaram um movimento centrífugo de consequências ainda por quantificar. No último almoço, no Necas, onde não pude estar surgiu esta ideia: esmiuçar os programas eleitorais. Eis as questões:

Questões 1) É importante que os cidadãos conheçam as prioridades da autarquia para os próximos quatros anos. Nesse sentido, gostaríamos de conhecer qual é a área de actuação que elege como prioritária para o município de Aveiro? Porque razão foi escolhida? E como foram ouvidos os cidadãos e os agentes na sua formulação?
2) O Orçamento Municipal dedica normalmente 0,5% (a verificar) do seu investimento para a Cultura. Qual é o compromisso que assume para o orçamento da Cultura? E Porquê?
3) A Avenida Lourenço Peixinho foi identificada como uma das unidades territoriais mais problemáticas da cidade, em particular no que concerne ao problema dos edifícios devolutos. Como avalia o problema? Que ideias tem para o resolver? Que meios pretende mobilizar?
4) Os Amigosd’Avenida identificaram a qualificação e animação do espaço público como uma das dimensões de política pública mais importante, tendo promovido, nesse âmbito, um Manifesto. Conhece o manifesto? Concorda com os seus princípios? Já o assinou? O que pretende fazer para o implementar?
5) A necessidade de encontrar uma plataforma de articulação dos agentes culturais e criativos da cidade foi uma das conclusões das actividade que ajudámos a organizar nesta ano em que a cidade comemorou 250 anos. Concorda com esta ideia? Qual lhe parece dever ser o papel da autarquia neste sentido? Que meios está disposto a mobilizar para o efeito?
6) A Ria de Aveiro é um espaço de eleição, de elevada qualidade ambiental, elemento de ligação entre os vários municípios ribeirinhos, mas, infelizmente, um espaço desaproveitado do ponto de vista cultural e turístico. Como avalia a situação? E o que pretende fazer para inverter o problema?

Solicitamos a resposta por escrito, num máximo de 3.000 caracteres, até ao próximo dia 5 de Outubro.
As conclusões serão publicadas no blogue, no Diário de Aveiro e enviadas por mail a mais de 1.000 endereços electrónicos dos Amigosd'Avenida.

11/09/09

CruzeiroO9


29/07/09

Há chuva no cais


Foto: Pedro Lopes

19/07/09

Para além da poesia, ou de como os pormenores demonstram o estado da nação.

Desde há muito que me habituei a percorrer caminhos ínvios, aqueles mais abandonados e que aparentemente dão para lugar nenhum, muitos deles resultantes de transformações viária e cadastral que tornam esses caminhos e espaços marginais. Deste modo resultam muitos espaços que sendo do domínio público por vezes passam ao privado, de modo ilícito.
Já há muito que vejo vedações de terrenos avançando á sucapa arranhando uns quantos centímetros, talvez metros, a esses caminhos perdidos pelas ruelas e pelos campos do Concelho. Vejo também avançando para logradouros públicos umas vedações, uns depósitos de mais ou menos lixo que pretendem dizer isto é meu, e com o tempo passam do público para o privado e que para os mais "espertos" passa por uma passagem pelos balcões de instituições públicas onde um simples clicar de "rato" transforma a área de um artigo numa outra coisa, pois antigamente, as áreas eram medidas a passo… ( a sério?).
Também há muito que vejo nas margens da Ria avanços de máquinas em movimentos de pedras e terras sobre as margens, desde o Carregal até ao Torrão do Lameiro, agora mesmo nas Marinhas Novas, estas últimas façanhas em plena reserva ecológica e em plena área protegida, inclusive pelos planos de ordenamento em vigor.
Já há muito que vejo construções avançarem em espaços onde segundo o PDM não se pode, veja-se Enchemil, e arredores. Até um bairro de etnia cigana se consolidou em plena área florestal, com os riscos e custos que a todos incumbe. E os anos passam e um sem número de situações de atropelo ao bem público e ao ordenamento do território se consolidam, com arame que se transformam em rede que se transforma em muro que se transforma num estado de loucura colectiva sem rei nem roque sem que ninguém diga o Rei Vai Nú.
Porque só interessam FreePorts e quejandos, talvez o menos importante, apesar dos rabos de gato bem visíveis porque de grandes felinos se trata, esquecendo nós que no nosso Concelho e pelo país, uma grande maioria dos atropelos á legalidade são branqueados ou ignorados ou pura e simplesmente desconhecidos pois os nossos autarcas e funcionários municipais e nós todos vivemos numa espécie de prostituição intelectual, vendendo o nosso silêncio em troca de silêncio , em troca de apertos de mão, em troca de olhares cúmplices de uns quantos favores de curta significância.
A liberdade, quando mal acompanhada, transfigura a democracia .

21/06/09

Nós e os Barcos


Velame,
Acentuado furor eólico
Numa batalha desigual, mãos e sentimentos cruzam-se numa lânguida tormenta.

Casco;
Árvore de estaleiro, flecha aquamórfica,
Gume em desequilíbrio abissal, segurança de Titãns nas plumas das ondas.

Mastros;
Florestas primordiais, cabos e enseadas sob as nuvens, sinais de aparente acalmia.
.../...

Mordentes espirais aguardam os argonautas para as afinações nocturnas, onde habitam as tribos de manilhas e moitões, resistentes ao abatimento dos sonhos derivantes. Sulcam as águas as sibilantes escotas à deriva, enquanto mansos lavram as boieiras no escoar do tempo.

Sob estrelado estibordo, mesmo durante a luz diurna das regatas, o barlavento determina continentes inesperados de heróica irracionalidade.

Afirmando erráticas presunções de hierarquia,
Nós, e os barcos, a incomparável certeza.

24/05/09

"Good morning ladies and germs" *

(* Futurama)
Bom dia! Embora já seja tarde...
Pois o que me tele-transporta aqui hoje, a este fero monte pleno de oscilações ideológicas como convém referir , é aquela história da professora de História, de uma escola do Norte... divulgada por uma tele-visão.
Acontece que quando ouvia as notícias e as gravações selecionadas por uma emissora de sinal de tele-visão, fiquei preocupado com aquelas palavras e atitude de uma professora do norte, eu que até vivo no Centro, e que ainda há curtos tempos tive que me debruçar atentamente sobre a capacidade pedagógica e avaliativa de uma professora de História, do meu filho, eu como dizia fiquei deveras preocupado e enveredei por aquele caminho fácil e pavloviano de me revoltar de imediato com as palavras da professora de História, que agora já era de Espinho, aqui mesmo ao lado, que afinal não têm nada a ver com histórias de sexo nas aulas de história, cuja professora afinal é casada com pessoa conhecida, um rapaz interessante, que se tornou psicólogo, e casou com a "Ju", pessoa com qualidades notáveis, ao que sei, e que por acaso é a tal professora de História de Espinho...
E aí revoltei-me comigo mesmo, pois fui levado na histórica maneira de construir notícias parciais e deformadoras que é assim que acontece "normalmente" nos meios de comunicação ao estilo tablóide, que é o estilo mais do que dominante nos dias que correm, apesar da contradição que é vivermos num tempo de pulverização ideológica, onde o que deveria acontecer seria a tal diversidade de estilos de informação nos grandes meios.
E desde logo me veio há memória aquela história dos ciganos metidos num contentor ali também para o Norte - Braga- ( agora não me enganam mais com o lugar geográfico das escolas) , coitados, segregados, em aulas separadas, ostracizados, estigmatizados em contentores, resultado do trabalho de um conselho executivo racista...
E depois quando se vê a questão na sua real dimensão, afinal a escola estava a fazer um excelente trabalho de integração de alguns alunos de etnia cigana, trabalho que como sabemos é dos mais difíceis que se pode pedir a uma escola, e a alternartiva para conseguir horários compatíveis, e a falta de espaço determinaram a colocação de contentores climatizados e por vezes mais confortáveis do que os espaços de "sala de aulas".
Pois agora, que já sei algo mais sobre os antecedentes, os meandros e o contexto do que aconteceu em Espinho...
-Algumas coisas não deviam ter sido ditas pela professora,
-A história é mais do que alguns segundos ou escassos minutos de gravação.
-A gravação de converdsas sobretudo numa aula do ensino público é acto ilegítimo e deve ser punido.
-Se fosse num tribunal ( onde cabe fazer justiça) a gravação pura e simplesmente deixava de existir.
-As notícias devem ser sempre , sempre e ainda outra vez, sempre, precedidas de um apurado sentido crítico, o que no rotineiro quotidiano alienatório é exercício muito exigente mas necessário á sobrevivência de uma sociedade equilibrada e que se deve empenhar na evolução no sentido de uma ética social estética e moralmente abrangente e integradora.

15/05/09

As Artes da Casa.



Vai ser inaugurada em Ovar a Casa das Artes.
Lembro há muito tempo, ter ido a uma reunião do executivo municipal onde na ordem do dia estava incluida a decisão sobre a denominação a dar à casa. Seria da Cultura? Seria Ovarense? Seria centro Cultural ? Espero que as dúvidas entretanto se tenham dissipado. Como já passou muito tempo, lamentavelmente esta casa das artes vem tardia, num contexto difícil, onde o modelo parece gasto e sem novidade, de modo que não apetece celebrar grande coisa. A não ser que do Deserto surja Lawrence da Arábia, ou Omar Sharif, ou até quem sabe, Johny Deep arrastando consigo uma nau, onde ainda se encontrem arcas cheias de abundantes riquezas por descobrir.
Silêncio, vamos rir, ou pintar, ou mesmo cantarolar uma canção. Vamos arrebatar multidões sem gastar milhões.
Vamos, vamos, vamos ser minimalistas. Pois alguma coisa vai sofrer no próximo orçamento municipal. A não ser que este se faça como todos os outros, uma pura ficção, dizem-me que é assim em todo o lado...

Ouvi dizer que a inauguração será um dia antes do acto eleitoral para o parlamento europeu. Não acho bem. A arte começa em casa.

02/05/09

Margarida - os primeiros estudos em biologia

Como tantos outros dias importantes na vida, este é um dia como todos os outros. Um dia em que apetece lembrar que a vida é como uma volta ao mundo em bicicleta. Sabemos como se iniciou mas não sabemos como termina pois a terra é redonda e não se lhe vê o fim. Sabemos que terminada uma etapa, logo outra se avizinha, mas nunca devemos deixar de saborear o momento de cada vitória que é apenas terminar mais um dia junto de quem gostamos, de quem amamos.
E as margaridas em flor darão o seu melhor aroma, quando acompanhadas de miosótis vermelhos, violetas azúis, ramos rubros de papoilas e o orvalho líquido das manhãs.

28/04/09

Arqueológicas



Tactear a penumbra de Abril,
algures numa ilha vermelha onde a liberdade é total,
alimenta a ideia de evocar uma afluência desigual de libélulas,
única forma de percebermos a multidão das ervas.
E depois de encontrada a porta, sentindo a forte corrente nos pés,
sonhar a ilusão do azul para todos é mera quimera,
pois o leme, esse, perde-se no escuro,
onde as cartas de marear o progresso se encontram perdidas, aguardando
as necessárias escavações, sob as rochas cobertas de musgo e pétalas de cravíssimos desejos.

12/04/09

Um dia bom para velejar




Hoje estava um dia bom para velejar. Portanto logo demanhã fui comprar uma bateria para o meu carro, que ficou parado, ontem, à porta do café... coloca que coloca, não coloca! pois não tinha chave à medida. Regressei a casa, a tarefa ficou adiada para depois de almoço. Como estava bom dia para velejar, resolvi entretanto limpar as palamentas do "A Ventura". Veio ao sol, o "A Ventura", espreitou o vento, limpei-lhe o pó... ficou ao sol uma hora. Que belo dia para navegar, pensámos. Entretanto um amigo, o Jorge, chegou com todas as suas potencialidades e equipamentos, todo o género de chaves... e lá fomos em direcção ao meu carro, para resolver a questão da bateria. Afinal o problema não era da bateria. E lá continua o carro à porta do café. Que belo dia para velejar, disse o Jorge. E fomos tratar dos barcos para A "CENARIO". Colamos e aparafusamos a caixa do patilhão do snipe do jorge, espalhámos microfibras sobre epoxi no casco da "Andorinha", e o vento certinho, lá fora , mas que belo dia para velejar! Acabadas as tarefas, eram sete horas, tomámos um porto e observámos a paisagem em frente. A maré estava plena, o vento certinho, e disse o António, " agora é que era bom sair daqui à vela até ao carregal" e disse eu , "à vela não podemos mas está aqui a lancha do meu irmão..." e num repente pusemos a lancha na água, o motor, abastecemos e partimos. Eram 8 e pico quando chegámos ao carregal.
Estava de facto um belo dia para velejar.

31/03/09

O Descurvo: Crise Mundial: A moeda mundial e o fim do super dólar

O Descurvo: Crise Mundial: A moeda mundial e o fim do super dólar

21/03/09

Monte guinéu 2


Depois do almoço