21-06-2009

Nós e os Barcos


Velame,
Acentuado furor eólico
Numa batalha desigual, mãos e sentimentos cruzam-se numa lânguida tormenta.

Casco;
Árvore de estaleiro, flecha aquamórfica,
Gume em desequilíbrio abissal, segurança de Titãns nas plumas das ondas.

Mastros;
Florestas primordiais, cabos e enseadas sob as nuvens, sinais de aparente acalmia.
.../...

Mordentes espirais aguardam os argonautas para as afinações nocturnas, onde habitam as tribos de manilhas e moitões, resistentes ao abatimento dos sonhos derivantes. Sulcam as águas as sibilantes escotas à deriva, enquanto mansos lavram as boieiras no escoar do tempo.

Sob estrelado estibordo, mesmo durante a luz diurna das regatas, o barlavento determina continentes inesperados de heróica irracionalidade.

Afirmando erráticas presunções de hierarquia,
Nós, e os barcos, a incomparável certeza.

24-05-2009

"Good morning ladies and germs" *

(* Futurama)
Bom dia! Embora já seja tarde...
Pois o que me tele-transporta aqui hoje, a este fero monte pleno de oscilações ideológicas como convém referir , é aquela história da professora de História, de uma escola do Norte... divulgada por uma tele-visão.
Acontece que quando ouvia as notícias e as gravações selecionadas por uma emissora de sinal de tele-visão, fiquei preocupado com aquelas palavras e atitude de uma professora do norte, eu que até vivo no Centro, e que ainda há curtos tempos tive que me debruçar atentamente sobre a capacidade pedagógica e avaliativa de uma professora de História, do meu filho, eu como dizia fiquei deveras preocupado e enveredei por aquele caminho fácil e pavloviano de me revoltar de imediato com as palavras da professora de História, que agora já era de Espinho, aqui mesmo ao lado, que afinal não têm nada a ver com histórias de sexo nas aulas de história, cuja professora afinal é casada com pessoa conhecida, um rapaz interessante, que se tornou psicólogo, e casou com a "Ju", pessoa com qualidades notáveis, ao que sei, e que por acaso é a tal professora de História de Espinho...
E aí revoltei-me comigo mesmo, pois fui levado na histórica maneira de construir notícias parciais e deformadoras que é assim que acontece "normalmente" nos meios de comunicação ao estilo tablóide, que é o estilo mais do que dominante nos dias que correm, apesar da contradição que é vivermos num tempo de pulverização ideológica, onde o que deveria acontecer seria a tal diversidade de estilos de informação nos grandes meios.
E desde logo me veio há memória aquela história dos ciganos metidos num contentor ali também para o Norte - Braga- ( agora não me enganam mais com o lugar geográfico das escolas) , coitados, segregados, em aulas separadas, ostracizados, estigmatizados em contentores, resultado do trabalho de um conselho executivo racista...
E depois quando se vê a questão na sua real dimensão, afinal a escola estava a fazer um excelente trabalho de integração de alguns alunos de etnia cigana, trabalho que como sabemos é dos mais difíceis que se pode pedir a uma escola, e a alternartiva para conseguir horários compatíveis, e a falta de espaço determinaram a colocação de contentores climatizados e por vezes mais confortáveis do que os espaços de "sala de aulas".
Pois agora, que já sei algo mais sobre os antecedentes, os meandros e o contexto do que aconteceu em Espinho...
-Algumas coisas não deviam ter sido ditas pela professora,
-A história é mais do que alguns segundos ou escassos minutos de gravação.
-A gravação de converdsas sobretudo numa aula do ensino público é acto ilegítimo e deve ser punido.
-Se fosse num tribunal ( onde cabe fazer justiça) a gravação pura e simplesmente deixava de existir.
-As notícias devem ser sempre , sempre e ainda outra vez, sempre, precedidas de um apurado sentido crítico, o que no rotineiro quotidiano alienatório é exercício muito exigente mas necessário á sobrevivência de uma sociedade equilibrada e que se deve empenhar na evolução no sentido de uma ética social estética e moralmente abrangente e integradora.

15-05-2009

As Artes da Casa.



Vai ser inaugurada em Ovar a Casa das Artes.
Lembro há muito tempo, ter ido a uma reunião do executivo municipal onde na ordem do dia estava incluida a decisão sobre a denominação a dar à casa. Seria da Cultura? Seria Ovarense? Seria centro Cultural ? Espero que as dúvidas entretanto se tenham dissipado. Como já passou muito tempo, lamentavelmente esta casa das artes vem tardia, num contexto difícil, onde o modelo parece gasto e sem novidade, de modo que não apetece celebrar grande coisa. A não ser que do Deserto surja Lawrence da Arábia, ou Omar Sharif, ou até quem sabe, Johny Deep arrastando consigo uma nau, onde ainda se encontrem arcas cheias de abundantes riquezas por descobrir.
Silêncio, vamos rir, ou pintar, ou mesmo cantarolar uma canção. Vamos arrebatar multidões sem gastar milhões.
Vamos, vamos, vamos ser minimalistas. Pois alguma coisa vai sofrer no próximo orçamento municipal. A não ser que este se faça como todos os outros, uma pura ficção, dizem-me que é assim em todo o lado...

Ouvi dizer que a inauguração será um dia antes do acto eleitoral para o parlamento europeu. Não acho bem. A arte começa em casa.

02-05-2009

Margarida - os primeiros estudos em biologia

Como tantos outros dias importantes na vida, este é um dia como todos os outros. Um dia em que apetece lembrar que a vida é como uma volta ao mundo em bicicleta. Sabemos como se iniciou mas não sabemos como termina pois a terra é redonda e não se lhe vê o fim. Sabemos que terminada uma etapa, logo outra se avizinha, mas nunca devemos deixar de saborear o momento de cada vitória que é apenas terminar mais um dia junto de quem gostamos, de quem amamos.
E as margaridas em flor darão o seu melhor aroma, quando acompanhadas de miosótis vermelhos, violetas azúis, ramos rubros de papoilas e o orvalho líquido das manhãs.

28-04-2009

Arqueológicas



Tactear a penumbra de Abril,
algures numa ilha vermelha onde a liberdade é total,
alimenta a ideia de evocar uma afluência desigual de libélulas,
única forma de percebermos a multidão das ervas.
E depois de encontrada a porta, sentindo a forte corrente nos pés,
sonhar a ilusão do azul para todos é mera quimera,
pois o leme, esse, perde-se no escuro,
onde as cartas de marear o progresso se encontram perdidas, aguardando
as necessárias escavações, sob as rochas cobertas de musgo e pétalas de cravíssimos desejos.

12-04-2009

Um dia bom para velejar




Hoje estava um dia bom para velejar. Portanto logo demanhã fui comprar uma bateria para o meu carro, que ficou parado, ontem, à porta do café... coloca que coloca, não coloca! pois não tinha chave à medida. Regressei a casa, a tarefa ficou adiada para depois de almoço. Como estava bom dia para velejar, resolvi entretanto limpar as palamentas do "A Ventura". Veio ao sol, o "A Ventura", espreitou o vento, limpei-lhe o pó... ficou ao sol uma hora. Que belo dia para navegar, pensámos. Entretanto um amigo, o Jorge, chegou com todas as suas potencialidades e equipamentos, todo o género de chaves... e lá fomos em direcção ao meu carro, para resolver a questão da bateria. Afinal o problema não era da bateria. E lá continua o carro à porta do café. Que belo dia para velejar, disse o Jorge. E fomos tratar dos barcos para A "CENARIO". Colamos e aparafusamos a caixa do patilhão do snipe do jorge, espalhámos microfibras sobre epoxi no casco da "Andorinha", e o vento certinho, lá fora , mas que belo dia para velejar! Acabadas as tarefas, eram sete horas, tomámos um porto e observámos a paisagem em frente. A maré estava plena, o vento certinho, e disse o António, " agora é que era bom sair daqui à vela até ao carregal" e disse eu , "à vela não podemos mas está aqui a lancha do meu irmão..." e num repente pusemos a lancha na água, o motor, abastecemos e partimos. Eram 8 e pico quando chegámos ao carregal.
Estava de facto um belo dia para velejar.

31-03-2009

O Descurvo: Crise Mundial: A moeda mundial e o fim do super dólar

O Descurvo: Crise Mundial: A moeda mundial e o fim do super dólar

21-03-2009

Monte guinéu 2


Depois do almoço

Almoço no guinéu


Aqui almoçamos

19-03-2009

Home


Simetria do fogo. A possibilidade do desenho.

06-03-2009

Floresta

Em Alvados, um vale magnífico, e pequenas veredas por entre campesinas sonoridades, latidos de cães.

22-02-2009

Casa lc

exterior




Interiores



Em Porto de mós

20-02-2009

O parque das ciências do mar


Hoje na APDL o mar e a oceanografia .


No curto intervalo de três dias presenciei a apresentação pública de dois importantes projectos de investimento na área das zonas costeiras e que contribuem para o chamado "cluster" do Mar: o Pólo de Ciências e Tecnologias do Mar apresentado na APDL (Administração do Porto de Leixões), em Leça, e o arranque do programa Polis Litoral-Ria de Aveiro, apresentado em Ovar.
Estes eventos, de natureza e alcance diversos, reuniram uma cuidada envolvente mediática e cénica ou não estivesse o Governo de Portugal aqui representado ao seu mais alto nível, Ministro das Obras públicas e Secretária de Estado em Matosinhos, primeiro Ministro, Ministro do Ambiente e Secretário de Estado, em Ovar.
Para além das figuras governativas pontuaram autarcas e reitores, vice-reitores e vereadores, autoridades marítimas e portuárias, Administração de Portos, técnicos, jornalistas e outros que, como eu, resolveram cuidar da observação do processo comunicativo destes importantes projectos à sociedade. Num caso, houve lanche e café, no outro, o sol radioso de uma manhã de Fevereiro.
De relance, tenho a dizer que me impressiona a forma monocórdica e monótona na forma de vestir dos homens, todos de fato cinza escuro, misturando-se os seguranças e os reitores, e os presidentes de câmara e directores gerais e ministros todos na mesma aparência solene, destacando-se nesta monotonia o vermelho da gravata do sr. Primeiro Ministro…
Mas, aparências à parte, o que interessa é referir a diferente natureza, o alcance e os contextos diversos de cada programa apresentado.
No caso de Matosinhos, observámos o lançamento de um projecto concreto, um conjunto de obras estruturantes para a cidade e para a região, ancoradas num novo terminal de cruzeiros, pretexto para a construção de um edifício marcante, resolvendo também um novo Porto de Recreio. Nesse novo edifício, cuja arquitectura nos remete para uma espécie de "Gugenheim torcido", uma Zaha-Adhid em aspiral, vai funcionar o pólo de investigação das ciências do Mar, local onde se processará uma forte inter-acção com a cidade envolvente. Num outro edifício das instalações portuárias recuperado para o efeito, funcionará um centro "incubador" de empresas relacionadas com a economia do mar, e ainda será construída uma rsidência universitária para docentes, a instalar no tecido urbano de Matosinhos.
No caso do Polis-Ria, é mais difícil concretizar uma síntese, pois ainda não estamos na fase de lançamento de projectos concretos. O Pólis não é um projecto, é um programa que levará á implementação de um conjunto de projectos e acções articuladas pelos territórios de vários concelhos, segundo uma estratégia onde a navegabilidade e a mobilidade terá um forte sentido prioritário. È portanto um programa complexo e mais difícil de concretizar.
Num e no outro casos verificamos que se trata de investir no desenvolvimento de uma economia onde o turismo representa um papel importante, sendo que, no caso de Matosinhos, a Universidade do Porto se coloca nos territórios da APDL com um pólo universitário e de investigação virado para o exterior.
Esperamos que o mesmo tipo de envolvimento, neste caso com a Universidade de Aveiro, possa ser seguido no caso do Programa Polis-Ria, tendo como pano de fundo a Ria de Aveiro e o seu enorme potencial, ambiental, paisagístico económico e cultural. E, se simbólicamente tivemos a cerimónia de lançamento deste Polis em Ovar, não seria bom concretizarmos este simbolismo colocando aqui no Carregal mais propriamente, uma intervenção que desse um sentido complementar ao já existente Porto de Recreio? Parece-nos evidente que este local está carente de uma intervenção cujo programa evidencie a recuperação paisagística e a implementação de novas funções que se articulem com uma estratégia de desenvolvimento assente no turismo, mas não só…
Se por um lado a iniciativa privada está mais vocacionada para implementar estruturas turísticas como hotéis, restaurantes e circuitos regionais, gerindo estes investimentos com o fim da sua própria sustentabilidade económica, já outro tipo de investimentos também estruturantes e necessários terão que ocorrer com o auxílio de dinheiros públicos pois áreas como a identidade e memória, a preservação da natureza, a interpretação ambiental, urbanística e museográfica, não se podendo sustentar a si próprias tendo em conta os investimentos necessários, necessitam de uma visão integradora que só pode ocorrer ao nível dos investimentos autárquicos ou inter-municipais que se estão a "desenhar" com o programa Polis, e que poderão dar valor acrescido à recuperação dos cais antigos da Ribeira, Tijosa e Puxadouro.
Também, e a exemplo do que fizeram a CCDRN (Comissão de Desenvolvimento e Coordenação da Região Norte), a Universidade do Porto, e a Câmara de Matosinhos, reunindo-se para concluir que o turismo resultante do movimento turístico dos grandes navios de Cruzeiros Atlânticos por si só não resolve todos os nossos problemas, assim deveríamos nós concluir noutras escalas e contextos que a Ria não é só turismo, nem pesca, nem paisagem contemplativa, è também educação e cultura, áreas que se esperam ver implementadas nos projectos de desenvolvimento do Polis Ria.
Neste sentido deverei ainda mencionar a excelente conferência que acompanhou o evento de Matosinhos, sob a responsabilidade de um oceanógrafo da Universidade do Estado de Washington nos Estados Unidos e que entre muitos e interessantes aspectos realçou a enorme potencialidade que representa para o futuro o estudo, em profundidade, do Mar.
A meu ver, nestas cerimónias de lançamento destes importantes projectos, faltaram, em Matosinhos o ministro Mariano Gago, e em Ovar o Senhor Ministro da Cultura.
Helder Ventura


Imagem da marina, do centro de ciencia, e do cais de acostagem de navios de cruzeiro...
( arq. Pedro Silva)

19-02-2009

Amáquina e ofuturo



18-02-2009

O herói


. Gago e Sacadura.


No intervalo entre a realidade e a ficção, algures sobre o Atlântico, o Lusitânea deslocava-se entre as nuvens de baixa altitude, em busca de umas ilhas...
Gago Coutinho utilizava o seu sextante de horizonte definido o que lhe permitia saber sempre onde estava, e para onde ia... o que como sabemos é circunstância cada vez mais rara de encontar. Sacadura não era tolo, sabia escolher os amigos...
Sacadura: - Hey! Gago, ainda falta muito? já mediste o Sol hoje?
Gago: - O SSSol? Ó Saaacadura, não vês que estamos no eeeequador? O Sóóól está mesmo na vertical...
( nisto o motor do Lusitânea, ou não fora um Rolls Royce preparado para sacar mais uns cobres aos lusos, decidiu rosnar mais forte e cuspir uns bons litros ( ou seriam galões?) de gasolina. Assim não dava para chegar às ilhas...)
Gago , (apercebendo-se da gravidade da situação pragueja): " -Quem nos dera ter comprado um ZEPLIN aos alemães...
Sacadura ( que ouvira muito bem apesar do roncar tonitroante do motor) : " Aos alemães? não vês que eles deixaram cair a Quimonda?
Gago: Quimonda? Qual quimonda? (A gago parecia-lhe uma loja na Baixa cujo proprietário era de origem africana...)
Nisto surge um clarão imenso sobre o Norte geográfico e o lusitânea derrete um flutuador, as circunstâncias não eram as melhores!
No caso destas circunstâncias se agravarem e de ser grande o abatimento causado pelas condições naturalmente explicáveis, como o desvio magnético, a inclinação do eixo da Terra ou a vertiginosa velocidade com que esta se desloca no espaço, a perícia de Gago e o sextante de horizonte definido seriam sempre um recurso fundamental. Em Portugal fez escola. Aqui, secretamente, recorre-se sempre a este instrumento fabuloso e ás memórias de Gago para nos orientarmos nas crises mais agudas.
É o que está a acontecer por agora, quando se vive uma crise de múltiplas declinações, e incertas "derrotas" e os horizontes apresentam uma geografia permanentemente variável.
O dr. Manuel Pinho agiu muito bem na Quimonda, a fábrica. Os alemães, esses que ainda desconhecem o valioso uso do sextante de horizonte defenido inventado por Gago Coutinho, não estiveram à altura. Mais um desastre para a economia...

.

16-02-2009

Pictura














Russ Kramer


Terei que dizer que esta pintura é fascinante, pois de um realismo épico que ultrapassa o clique fotográfico, bebendo no entanto aí todo o seu dramatismo. Uma excelente descoberta, num mundo de iates e correrias que, hoje, no contexto das novas travessias, nos deixam sempre perplexos. Como é que eles conseguiam?


(Ao almagrande que nos fez descobrir o que julgávamos perdido)

14-02-2009

Experiment




Dois barcos







Flutuando no canal sobre o destino. Barco branco barco.

05-02-2009

O Portugal futuro

O Portugal futuro é um país
onde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável.
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que chamarem
portugal será e lá serei feliz.
Poderá ser pequeno como este
e ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz.
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar, será verão.
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro

BELO, Ruy; País Possível (1973)

03-02-2009

OS PORTOS LIVRES À DERIVA

Saramago imaginou a península Ibérica em deriva autónoma pelos oceanos, metáfora das descobertas de quatrocentos, auto-proclamação de uma unidade ibérica muito para além da inevitável coexistência a dois, inscritos na forma quase regular do acidente geográfico onde cresceram.
Uma jangada de pedra, cuja escala fenomenal nos coloca perante algo insólito e incontornável, muito à maneira dos filmes de Hitchcok, mas nos retém subjugados à velocidade de cruzeiro de uma jangada, ficção literária angustiante e pois de futuro muito incerto.
Portanto, onde mais me reconheço é na invenção de Bartolomeu de Gusmão, a famosa passarola, que ocupa na imaginação de muitos de nós, desde o tempo dos primeiros estudos de História, um lugar secreto e recorrente, uma fuga para a dimensão ao alto, uma provocação "futurante".
Provocação continuamente reforçada, quase cirurgicamente, com o "Lusitânea" de Gago Coutinho e Sacadura, o famoso Sacadura Cabral em voo hidrofugante sobre o Atlântico Sul...

E claro a armada do Gama em busca do Ìndico, esse território líquido de tempêros luminosos, odores a Calecute, sonoridades da Ìndia, campanários silenciosos de Goa, a caminho do Japão. Dlão!

E foi assim que vi ( claramente visto como diria o poeta...) a passarola de Bartolomeu salvar D. Fuas Roupinho do abismo, o hidrovião de Gago e Sacadura, mestres na navegação, orientando a armada do Gama que andava perdida nas neblinas do Ìndico, rumo a Zanzibar...

Judite de Sousa entrevistando mr. Magoo, o inigualável Magoo...

Eis a prova de que somos capazes de tudo !

E agora que estamos ( como sempre estivemos ) num daqueles momentos da história onde só se ouvem ecos do idoso do Restelo, e as naus se afundam antes do Bugio, não temos dinheiro nem para tocar o sino, continuamos enclausurados em teias de corrupção e frenéticas ideias de justiça pelos jornais adentro.
É difícil falar de coisas boas, admiráveis circunstâncias...

Ainda, e como se não bastasse, tinham que ser os ingleses, sempre eles, a demonstrar que afinal a passarola não voa, e que até terá ardido, queimando os cortinados do palácio, e para cúmulo, o padre jesuita inventor acabou perseguido e morto em Espanha, quando tentava a viagem para lá dos Pirinéus.

Erro fatal o do padre, deveria ter tentado o Atlântico, evitando os ingleses, claro.

desenho : andré ventura
.