O Primeiro de Dezembro



No 1º de dezembro de 1640, andava eu na minha jactância particular entre Almada e Pedrouços, sobrevoando o Tejo, saboreando as vistas e tomando um Tinto de Alcobaça, quando, repentinamente, o pequeno avião cai e rodopia, resultado de uma manobra de emergência.
Entornado o tinto, perguntei ao piloto: "Então a que se deve tal pilotagem ?" Ao que ele me respondeu: " Tive que me desviar de um pilar desta incrível ponte que aqui colocaram, sem avisar".

Desconhecendo por completo a existência de uma ponte sobre o Tejo, parecia uma ponte..., pensei, "Estes espanhóis queriam ver se eu me despenhava. Isto é uma autêntica armadilha para jactantes, como eu."
De facto era. Para além de dois pilares incríveis, existiam inúmeros cabos pendendo e um arco invertido que tocava um tabuleiro digno das festas de Tomar. Uma autêntica teia, armadilha fatal para quem se deslocasse de Almada para Pedrouços, voando.
Nestes tempos de ocupação espanhola muitos avanços tecnológicos tinham sido implementados. Inclusive, voar.

Antecipando o grande Bartolomeu de Gusmão, Miguel de Vasconcelos e a duquesa de Mântua atiraram-se de uma janela abraçados, pensando; as sete saias da duquesa, rodopiando, vão fazer com que a nossa fuga pareça um golpe de Estado, o fim dos Filipes em Portugal.
E assim foi.

Quanto à ponte, ainda lá está, qual teia, atraindo alpinistas ingleses que se deslumbram com as alturas e a vista, tal qual eu, na minha jactância particular, bebendo um tinto de Colares, já que o Alcobaça se acabou, cartografando imaginárias Ópio e Absinto, lendo Pessoa e Pessanha, com quem, mais uma vez, expulsamos os espanhóis de Olivença.

Neste contexto, julgo que Olivença daria um excelente campo para os refugiados Sírios, cuja educação e sentido histórico determinariam o Regresso dos Portugueses.

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